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RELATIVIDADE DO TEMPO |
Nos primórdios das civilizações, por maior que fosse sua necessidade, o homem primitivo podia conviver com a mensuração do tempo baseando-se na luz solar.
Com a evolução natural, novas conquistas tecnológicas, como por exemplo a chegada das ferrovias, interligando cidades bem distantes, em velocidades compatíveis à época, o telégrafo nas comunicações, eram indícios evidentes que tais padrões eram, no mínimo, inadequados.
Na Inglaterra e nos Estados Unidos da América, por exemplo, cada companhia ferroviária tinha o seu padrão-horário, prevalecendo na maioria, o horário da cidade terminal (final dos trilhos) que por sua vez, tinha o seu próprio horário; os povoados que surgiam ao longo das vias férreas, geralmente mantinham os horários das companhias.
Como exemplo, na cidade americana de Pittsburgo, com seis estradas, seis eram os horários.
Com todo o respeito "Uma verdadeira baderna".
Nos Estados Unidos e Canadá, essa confusão se prolongou até 18/11/1883, um domingo , quando, por quase unanimidade da sociedade, adotaram uma Hora-Padrão, a partir do 60 graus do meridiano de Greenwich- Inglaterra), centralizadas nos meridianos 75, 90, 105 e 120 graus, tomando-se o cuidado de curvas aleatórias.
Esse domingo ficou conhecido como o "Dia com dois meio-dias".
Como curiosidade, principalmente para o internauta estudando ou já formado em direito, consta do anais da história que em Iowa, uma casa, cuja apólice de seguro contra incêndio que vencia ao meio-dia de 18 de novembro de 1883, pegou fogo, exatamente ao meio-dia solar.
Houve uma demanda judicial, pois questionava-se qual o meio-dia, aquele que interessava a companhia de seguros, ou o meio-dia que interessava ao proprietário do imóvel.
(meio-dia solar X meio-dia padrão)
Folclore ou não (tranqüilizem-se os justiceiros), consta que o proprietário ganhou a questão.
Posteriormente, em 1884, mediante um congresso realizado em Washington, quanto ao aspecto civil, a Hora Solar foi descartada.
Em seu lugar, foi adotado o sistema de Fusos Horários, que tem em Greenwich, 0 graus de longitude, perto de Londres, o marco inicial, sendo a Hora Universal sempre correspondente, dependendo da longitude Leste ou Oeste do local, com a hora civil da localidade londrina.
Em síntese, a Hora Legal é o tempo solar meio do meridiano de Greenwich, contado a partir da meia noite e, desde 1960, o Tempo das Efemérides (TE).
No Brasil, antes de 1914, cada localidade brasileira marcava o tempo segundo o movimento aparente do Sol, que atingia o ponto mais alto (ou culminante) às 12 horas; esse tempo fornecia a hora local, que difere segundo a posição geográfica de cada região.
Foi no tempo de Henrique Morize, em 1914, que se adotou o sistema de hora oficial e dos fusos horários. Morize, nasceu em 1860, na França e, morreu no Rio de Janeiro.
Foi o fundador dos estudos de física experimental no Brasil e deve-se a ele a fundação da Sociedade Brasileira de Ciências, em 1916.
Como diretor do Observatório Astronômico, deu seqüência a obra de Cruls, transformando esse observatório no primeiro da América do Sul.
TEMPO ATÔMICO INTERNACIONAL (TAI)
Em 1935, trinta e dois anos antes da conferência de 1967, já no advento do relógio de quartzo, a comunidade cientifica pode provar, categoricamente, oscilações anuais periódicas na rotação do planeta Terra.
Em março, a velocidade de rotação do planeta atinge seu ponto mínimo, sendo a duração do dia 0,0010 segundos maior do que a duração média no período anual. Já em agosto, com uma velocidade maior de rotação, a Terra atinge uma variação menor em 0,001 segundos.
O relógio atômico de Césio 133, proporcionou ao homem e, principalmente ao mundo científico a tão almejada precisão absoluta.
Dessa forma, em 1967, de acordo com a XIII Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), o segundo passou a ser padronizado como:
"O segundo é a duração de 9.192.631.770 períodos de radiação, emitida por um átomo de césio 133, durante a transição entre os dois níveis hiperfinos do Estado Fundamental"
O segundo também pode ser definido como a 86.400 parte do dia solar médio.
Oficialmente, o Tempo Atômico Internacional (TAI) foi introduzido em 1972; o TAI serve de base para o Tempo Universal Coordenado (TUC), sendo que, a diferença entre os dois é sempre igual a um número inteiro de segundos.
O órgão responsável pelo equacionamento acima é o Bureau Internacional da Hora que, para o início de 1987, determinou que a diferença entre os dois fosse de 23 segundos (TAI-TUC=23 segundos).
TEMPO UNIVERSAL COORDENADO (TUC)
A escala de tempo utilizada pelas autoridades responsáveis pela manutenção e ajuste das horas é o Tempo Universal Coordenado (TUC) que esta vinculado ao Tempo Atômico Internacional (TAI); por definição temos:
TU - TUC < 0,9 segundos
A defasagem de tempo tem que ser menor do que 0,9 segundos.
O Tempo Universal Coordenado (TUC), por convenção, terá que ser ajustado sempre que for necessário e, deverá manter, com relação ao Tempo Universal, uma diferença menor do que 0,9 segundos.
Esse ajuste é fundamental para o cálculo das coordenadas geográficas, ligadas à posição do planeta em relação ao Sol. Embora sem uma explicação palpável, Conclui-se que essas oscilações sejam cíclicas, com períodos de centenas de anos, ou, simplesmente fenômenos puramente imprevisíveis e aleatórios.
Outrossim, devido ao atrito causado pelas marés no litoral, o nosso planeta diminui de rotação; em virtude desse fenômeno, a duração do dia se expande em 0,0016 segundos por século e, em função dessas oscilações, periodicamente, esses laboratórios tem que ajustar a hora.
A mais recente regulagem que temos conhecimento, ocorreu em 31/12/87 onde os relógios de todo o mundo foram atrasados em 1 segundo.
TEMPO DAS EFEMÉRIDES (TE)
Como vimos, em todas as medições do tempo abordados até aqui, variações se sucedem, em virtude de não existir uma uniformidade dos movimentos dos astros envolvidos.
São variações que complicam e influem bastante quando se manipulam dados relacionados entre esses corpos celestes.
Na tentativa de se eliminar ou amenizar tais fenômenos físicos oscilatórios, estabelece-se fatores de mensuração do tempo, fundamentando-se nas precipitações de movimentos de deslocamento dos corpos celestes, como por exemplo, na força gravitacional da Terra para a Lua, que se manifestam independentemente das rotações não uniformes da Terra.
Para essa metodologia, convencionou-se chamar de Tempo das Efemérides.
O segundo, unidade de tempo, de acordo com a decisão da U.A.I, não é mais definido como a fração 1:86400 do dia solar médio (que é variável), mas com a fração 1:31556925,9747 (*) do ano trópico, para a época:
janeiro 0 12h, 1900
(12 horas universais do dia primeiro de janeiro de 1900)
0,00000003169
(*) Revolução trópica para 1900 (Newcomb) 365,24219879
Aplicando-se uma regra de três:
365 dias-------------------------- 31.536.000 segundos
365,24219879-------------------------- X
X= 31.556.925,9747 aproximadamente
A relação ou conversão desse método com a Hora Legal pode ser obtida utilizando-se a seguinte fórmula:
Tempo das Efemérides = Tempo Universal + Fração de Tempo fornecida
Por exemplo, em 1981 a fração de tempo adotada foi de 51 segundos.
Na prática porém, desde 1984, ao invés do Tempo das Efemérides (TE), é utilizado o Tempo Dinâmico Terrestre (TDT); a fórmula para se achar o TDT é a seguinte:
TDT= TAI + 32, 184 (constante)
Para 1991, por exemplo, a defasagem foi de aproximadamente 57 segundos.
EQUAÇÃO DO TEMPO
Define-se a equação do tempo como sendo a diferença entre a hora solar verdadeira e a hora solar média.
ANO BESSELIANO (AB)
A duração do ano besseliano é praticamente igual ao do ano trópico.
Todavia, o seu início ocorre quando a ascensão reta da hora solar média( Sol fictício), atinge 18 h e 40 minutos; essa manifestação dá-se perto do início do calendário gregoriano.
Grosso modo, o Sol fictício ou hora solar média consiste em projetar-se na linha do equador celeste, sem desigualdade, o movimento médio do Sol na inclinação da Eclítica( o movimento aparente do Sol se dá numa grande circunferência, cuja inclinação média é de aproximadamente 23,5 graus, isso em relação ao Equador Celeste, sendo essa inclinação chamada de Eclítica ou Eclíptica).
O início do Ano Besseliano ocorreu em 1950. Geralmente, reconhecemos essa indicação, pelo sufixo 0 adicionado aos anos:
1950,0
Conforme recomendação do U.A.I, o Ano Besseliano deverá ser indicado com o prefixo B ao invés do sufixo 0 : B 1995
A data Juliana (DJ) do início do Ano Besseliano é obtida pela fórmula:
DJ= 2.415.020,31352 + 365,242198781 X (B-1900)
Por exemplo:
B 1950= DJ 2.433.282,4234 + 0,5 (1/2 dia) = janeiro 0,9234
B 1995= DJ 2.449.718,3224 + 0,5 = janeiro 0,8224 dias
FRAÇÃO DO ANO TRÓPICO
A fração do ano trópico é definida como sendo o resultado da divisão entre os dias decorridos desde às 0 horas de primeiro de janeiro do ano em pauta pela revolução trópica do Sol (Em 1995- 365,242192957).
Exemplo:
Dias decorridos de 1 de janeiro à 20 de julho de 1995 - 200 dias/365,242192957= 0,54758186173 (fração do ano trópico)
HORÁRIO DE VERÃO
Depois de 1916, alguns países, na sua grande maioria por motivos econômicos, tem adotado o que se convencionou chamar de Horário de Verão.
A hora civil, no período de verão, é adiantada no mínimo em 60 minutos.
O primeiro horário de verão no Brasil teve início em 1931, tendo sido adotado também em 1932; depois um período de interrupção, sendo novamente adotado em 1949.
LINHA INTERNACIONAL DO TEMPO OU DE DATA
É uma linha imaginária traçada sobre a superfície da Terra, cujo objetivo é fixar a troca de data.
Segue aproximadamente o meridiano 180 graus de Greenwich, através do Pacífico, desviando-se ao redor de algumas ilhas por conveniência local.
Na prática, ao atravessarmos essa linha com rumo para o Leste, perde-se um dia e se ganha outro ao cortá-la com rumo para o Oeste. O viajante que corta a linha, indo da Asia para a América, repete o mesmo dia e o viajante que vai da América para a Ásia passa de um dia ao seguinte, no momento de cruzar a linha internacional.
Em síntese, no sistema há um determinado ponto em que teoricamente o domingo e a segunda se encontram.
A Leste desse ponto é um dia e a Oeste outro.
A escolha desse lugar não segue nenhum conceito cientifico, apenas por convenção, em virtude de ser um dos pontos menos habitados do planeta, causando, teoricamente, menos problemas a maioria dos terráqueos.