| Patriarca hebreu. Lê-se no
Gênesis (V, 21-27) que era da raça abençoada de Seth; teve por pai Henoc,
por filho Lamech, e por neto Noé. A cronologia dos Setenta, seguida pela
Vulgata, indica que a sua vida durou 969 anos; também o seu nome passou a
provérbio, e diz-se de um velho de idade muito avançada e conservando o seu
vigor: chegará a idade de Matusalém.
Todavia,
entre aqueles mesmos que tomam ao pé da letra as palavras da Bíblia, há não
poucos que tem duvidas acerca das idades avançadas, que os patriarcas
alcançavam.
Considerando exagerados os números que aparecem nas Escrituras, têm-se
feito estudos e têm-se estabelecido diversas teorias, com a finalidade de
encontrar uma explicação lógica e sistêmica para semelhante longevidade.
Afirma-se que nas primitivas épocas se serviam da lua para medir o tempo
e como contar por meses teria sido muito fatigante, necessariamente foi
escolhida uma divisão mais elástica.
Existe a teoria de que os primeiros anos se compunham de cinco meses, de
trinta dias cada um, tomando o numero cinco por ser este o numero dos dedos
da mão.
Também se disse que, antes de existirem os anos de cinco meses, houve
anos de um mês, ou o que é o mesmo, que o período da revolução da lua
equivalia a um ano. Os que afirmam isto, fundamentam-se nas longas idades
alcançadas pelo primeiro homens bíblicos.
Nesta conformidade, os 930 anos da vida de Adão, calculados na razão de
29 dias e meio, dão 75 anos e aproximadamente 2,3797 meses, o que é já uma
longevidade razoável.
Para que não paire dúvidas e desgaste aos nossos visitantes com os
cálculos envolvidos, vejamos quais foram os critérios que utilizamos para
chegarmos aos valores acima. Antes de tudo, convém explicarmos que
trabalhamos com cifras astronômicas (aproximadas), ao invés de recorrermos
aos calendários, gregoriano ou juliano e também ao chamado período juliano.
As lunações (Revolução Sinódica) aproximam-se astronomicamente do número
29,5305881 dias médios.
Por sua vez, o ano astronômico (Revolução Trópica) aproxima-se de
365,24219296 dias médios.
930 anos da vida de Adão (Bíblia) X 29,5305881 = 27.463,4469 dias médios;
27.463,4469 divididos por 365,24219296 dias médios = 75,1924 anos
Concluindo, aplicando-se uma regra de três simples, teremos:
| 1 ano |
= 365,24219296 |
| 0,1924 |
x |
x = 365,24219296 vezes 0,1924 = 70, 2726 dias
70,2726 dias dividido por 29,5305881 = 2,3797
meses
Partindo-se desse pressuposto, os 969 anos atribuídos a Matusalém
reduzem-se a 78 anos 4,2757 meses aproximadamente, como podemos constatar a
seguir:
969 anos da vida de Matusalém (Bíblia) X 29,5305881 = 28.615,1399 dias médios;
28.615,1399 divididos por 365,24219296 dias médios = 78,3457 anos
Concluindo, aplicando-se uma regra de três simples, teremos:
| 1 ano |
= 365,24219296 |
| 0,3457 |
x |
x = 365,24219296 vezes 0,3457 = 126,2642 dias
126,2642 dias dividido por 29,5305881 = 4,2757 meses
Baseado nesse raciocínio, Matusalém deixa de levar a "Palma de Ouro" no
tocante a velhice, pois os seus famosos 969 anos ficam reduzidos a 78 e um
pouco mais de 4 meses, com o que o famoso velho fica rejuvenescido como um
Fausto.
Esta teoria tem muitos visos de verossimilhança se se observar, desde Noé
a David a duração da vida é onze duodécimos partes mais curta do que nas
épocas anteriores, indicio de que chegou uma época em que os anos abrangeram
um espaço de tempo muito mais vasto. isto deve ter ocorrido ao
descobrirem-se os equinócios da primavera e do outono, quando os dias e as
noites são de duração igual.
Com o novo computo, o ano constava de cinco meses de trinta dias, e sobre
a base de um ano de 150 dias, os 175 anos de
Abraão
reduzem-se a 72, os 180 de Isaac a 74.
RESSALVA- Considere o texto acima um mero
apanhado; seria muita pretensão nossa, em assunto dessa magnitude, onde
aprofundaram-se eruditos dos mais brilhantes, impor como verdade aos nossos
visitantes assertivas que merecem um estudo bem mais aprofundado. Com o
advento da Internet, principalmente na utilização de buscadores poderosos,
enfatizando o Google,
a tarefa do pesquisador ficou bem mais amenas.
Como subsidio, anexamos duas
considerações,coletadas em buscas um pouco mais refinadas, que podem ajudar
no aprofundamento dos estudos.
Primeira fonte:
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CRONOLOGIA DOS TEMPOS BÍBLICOS
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I - DESDE A CRIAÇÃO DO MUNDO ATÉ AO NASCIMENTO DE
ABRAÃO.
Os dados para este período derivam dos registros da história
hebraica em Gn 5: 1-32; 7: 11; 11: 10-26. Há vários métodos
possíveis de interpretá-los, entre os quais, mencionaremos os
seguintes:
(1) A genealogia foi elaboradas pelos escritores
antigos de mesmo modo que o seria pelos autores modernos.
Adão - tendo vivido 130 anos, gerou a
Sete - que viveu 105 anos, gerou a
Enos - tendo vivido
90 anos, gerou a
Cainã - tendo vivido
70 anos, gerou a
Malaleel - tendo vivido
65 anos, gerou a
Jarede - tendo vivido
162 anos, gerou a
Enoque - tendo vivido
65 anos, gerou a
Matusalém - tendo vivido 187 anos, gerou a
Lameque - tendo vivido
182 anos, gerou a
Noé - tendo vivido 600 anos, Veio o
dilúvio
Desde a criação do dilúvio = 1656 anos
Noé tendo vivido 500 anos gerou a
Sem - tendo vivido
100 anos, gerou a
Arfaxade - tendo vivido 35 anos, gerou a
Salá - tendo vivido 30 anos, gerou a
Heber - tendo vivido 34 anos, gerou a
Fáleque - tendo vivido 30 anos, gerou a
Ragaú - tendo vivido 32 anos, gerou a
Seruque - tendo vivido 30 anos, gerou a
Naor - tendo vivido 29 anos, gerou a
Terá - tendo vivido 70 anos, gerou a Abrão -
Depois do nascimento de Noé - 890 anos
Depois do dilúvio - 290 anos
Depois da criação do mundo - 1946 anos
Os dois anos mencionados em Gn 11: 10`, são adicionados a
este resultado, pelo arcebispo Usher, segundo o qual, Terá gerou os
seus filhos quando o mundo contava 1948 anos de existência. Por esta
interpretação, Sem não podia ser o filho mais velho de Noé, como
geralmente se crê, nascido quando o velho pai tinha 500 anos de
idade, Gn 5: 32. Porém o capítulo 11: 10, tem outra explicação.
Interpretando a data da genealogia como já foi dito, Noé tendo
vivido 500 anos, gerou a Sem, que tendo vivido 100 anos, gerou a
Arfaxade; portanto, este nasceu ao ano 601 da vida de Noé, isto é,
no segundo ano civil, depois do ano diluvial, que se deu no ano 600
da vida de Noé, 7: 6, 11, que durou cinco meses daquele ano. Noé
viveu 350 anos completos, 9: 28. Quando começou o dilúvio tinha 599
anos e alguns meses. Como vivesse 350 anos mais, veio a morrer,
quando tinha 949 anos e alguns meses, isto é, no ano 950 de sua
idade, 9: 29. Há discrepância entre o pentateuco hebraico, o
samaritano e a versão dos Setenta. O texto hebraico é evidentemente
o mais exato no que respeita a datas. Os Setenta, provavelmente,
baseando-se na longevidade dos antediluvianos, e que antes de 150
anos não tinham o seu primeiro filho, tomaram a liberdade de
acrescentar um século à data dos hebreus, o que eles fizeram, como
se diz, no caso de Adão, Sete, Enos, Cainã, Malaleel e Enoque. As
variações menores são as que se reférem a Lameque. O texto
alexandrino e o luciano dão 188 + 565 = 753 anos, e Luciano divide a
idade de Matusalém em 167 + 802 = 969 anos. O Pentateuco samaritano,
sob a hipótese de que um antediluviano não poderia gerar filhos
senão depois de 150 anos de idade, e vendo que Jarede somente os
teve aos 162 e Matusalém, aos 187, (e segundo Luciano aos 167) e
Lameque aos 182, reduziu os algarismos a 62, 67 e 53.
Deste modo, encurtou o total das existências,
enquanto que os Setenta balancearam cuidadosamente as suas adições à
primeira parte das vidas com as subtrações correspondentes da última
parte, de modo que o total de cada existência era igual naquela
versão, bem como no original hebraico, exceto no caso de Lameque. O
mesmo se deu em referência aos patriarcas pós-diluvianos, anteriores
a Abraão. Os Setenta hesitam em dar-lhes menos de 100 anos para o
nascimento de seu primeiro filho, acrescenta 100 anos às idades em
que foram gerados os filhos de Arfaxade de Salá, de Heber, de
Fálegue, de Ragaú, de Serugue, e mais 50, à vida de Naor quando
gerou Taré. Segundo os manuscritos de Alexandria e de Luciano,
depois de Arfaxade, insere Cainã e diz que este gerou a Salá quando
tinha 130 anos de idade. O Pentateuco samaritano concede que eles
gerassem filhos depois de 50 anos, no caso Arfaxade, Salá, Heber,
Fálegue, Ragaú e Serugue, acrescenta 100 anos à idade que o texto
hebraico dá e mais 50 anos no caso de Naor.
(2) Admite-se que algumas, ou muitas linhas
genealógicas tenham sido omitidas. Como se dá em outras genealogias
dos hebreus, cada membro conta ser quem gerou o seu sucessor, ainda
que este seja seu neto, ou ainda descendente mais remoto; como se dá
com a genealogia real do evangelho segundo S. Mateus, onde
desaparecem os nomes de três reis, Ocozias, Joás e Amazias, e onde
se diz que Jorão gerou a Ozias, que era seu bisneto. Vê-se pois, que
somente são mencionados os membros proeminentes da linha
genealógica; ou ainda dão número determinado, habilmente escolhido
para auxílio da memória. Assim pois, na genealogia segundo S.
Mateus, dão-se grupos de duas vezes sete, e em Gênesis os grupos são
de dez. Viveu Adão 130 anos e gerou a Sete, que tendo 105 anos gerou
a Enos, que na idade de 90 anos gerou a Cainã, que tendo 70 anos,
gerou a Malaleel.
Segundo esta teoria, os registros hebraicos não
oferecem base segura para organizar uma cronologia exata, desde Adão
até Abraão. Supõe ainda que a idade atribuída aos patriarcas é a de
uma existência normal. Adão viveu 930 anos. Esta longevidade
extraordinária explica-se pelo fato de que o pecado, cujos efeitos
físicos geram as enfermidades e ocasionam a morte, tinham apenas
iniciado a sua maligna influência sobre a raça humana, cuja
intensidade aumentou com o desenvolvimento das gerações futuras. O
balanço entre a existência do homem em seu estado de inocência e o
homem na condição de ente decaído, ainda não se tinha obtido.
(3) Pode-se admitir ainda que os nomes de
indivíduos representam famílias, e sejam tomados no sentido
coletivo, como a palavra Israel que representa o patriarca e seus
descendentes; Cim, que é tomado em lugar de Cíneos, Nm 24: 22, e
Davi, representando a casa real, 1 Rs 12: 16. Outras vezes a família
toma o nome de seu
progenitor, ou de algum outro membro proeminente da tribo; outras
vezes, ainda, o nome da tribo, ou do lugar de seu nascimento ou de
sua residência, aplica-se à pessoa de seu representante, como se dá
hoje com alguns indivíduos, que são designados pelo nome da família
donde procedem; é com os titulares, que são tratados pelo nome do
lugar de que se origina o seu título. Em Gênesis 10, os nomes das genealogias
são às vezes, de indivíduos, de povo, de cidade e de países. Na
geração de Abraão, mencionada neste capítulo, Arfaxade filho de Sem,
10: 22, é também o nome de uma região povoada pelos descendentes de
Sem, onde nasceu Selá. A longevidade é o período durante o qual uma
família teve o predomínio sobre os seus contemporâneos.
ADÃO - Ano 1 a 930
Origem da família de Sete, quando Adão tinha 130 anos, 5:
3,
A linha de Adão exerceu a direção dos negócios familiares
durante 930 anos, v. 5, e depois foi substituída pela Família de
Sete
FAMÍLIA DE SETE - Ano 930 a 1035
105 anos depois que esta família se formou, surgiu a família
de Enos, v. 6.
Depois de 912 anos, v. 8, a família de Sete foi substituída
pela
FAMÍLIA DE ENOS - Ano 1035 a 1842
90 anos depois de Enos assumir a direção da família, derivou
dela a família de Cainã, v. 9.
815 anos depois, v. 10, Enos deu lugar à
FAMÍLIA DE CAINÃ - Ano 1842 a 2747
FAMÍLIA DE LAMEQUE - Ano 2747 a 6848
Família que tomou este nome originária de Noé.
Lameque tem como sucessor a
FAMÍLIA DE NOÉ - Ano 6848 a 8575
Sem, Cão e Jafé, nascem cerca de 8125.
DILÚVIO - Ano 8225
Arfaxade, sua origem - ano 8227
A RAÇA DE SEM - Ano 8575 a ? distinta de outros
descendentes de Noé, torna-se preeminente.
Conclui-se que os anos, desde a criação de Adão até ao
dilúvio, foram 8225, e desde Adão até à morte de Taré, poderão ser
11571. Este esboço mostra uma das aplicações da teoria; convindo
lembrar que vários pontos da genealogia estão sujeitos a
interpretações diversas, subordinadas a preferências individuais,
até que novas investigações venham esclarecer definitivamente o
assunto.
II. DESDE O NASCIMENTO DE ABRAÃO ATÉ AO ÊXODO
Quanto tempo depois do dilúvio nasceu Abraão é o que não se
pode saber pela narração bíblica, nem mesmo pelo primeiro método
acima enumerado, e empregado por Usher na interpretação da
genealogia desde Adão até Abraão, uma vez que a Bíblia não diz a
idade de Taré, quando Abraão nasceu. Segundo Usher, Abraão nasceu em
1996 A. C. O período desde o nascimento de Abraão e a descida para o
Egito pode ser calculada assim:
Nascimento de Abraão até o
Nascimento de Isaque
- 100 anos - Gn 21: 5
Nascimento de Jacó - 60 anos - Gn 25: 26
Idade de Jacó quando desceu ao Egito - 130 anos - Gn 47:
9.
Total - 290 anos
A peregrinação dos filhos de Israel no Egito durou 430 anos,
Ex 12: 40, 41. O cálculo deste período será feito sobre data
inicial? ou sobre a data do pacto com Abraão, quando ele tinha 75 ou
85 anos, 12: 4; 16: 3 ou como crê Usher e outros, sobre a época da
descida para o Egito? Provavelmente será sobre época. Geralmente se
crê que Ramsés II foi o Faraó da opressão, e que o seu sucessor
Meneptá foi o Faraó do Êxodo. A data de Ramsés II pode ser
aproximadamente, pelo fato de Amenofis IV, rei do Egito, ser
contemporâneo de Asurubalite, rei da Assíria. Tuculti-Adar, quinto
descendente de Asurubalite reinou`, segundo um registro de
Senaqueribe, 1300 A. C. O quinto ou sexto rei do trono do Egito
depois de Amenofis IV, foi Ramsés II, indício seguro de que este rei
governou no ano 1300 A. C. A data do reinado de Meneptá foi
determinada da seguinte forma: Menofres, que parece ser o mesmo
Meneptá, é o rei em cujo domínio começou o período Sótico de 1460
anos. Segundo o astrônomo Theon, o período Sótico terminou em 139 A.
C., portanto deveria ter começado em 1321, de modo que o período do
reinado de Meneptá foi incluído no ano 1321. Na base deste cálculo,
para determinar o reinado de Ramsés II e de Meneptá, o Êxodo pode
ser provavelmente fixado no ano 1320. Esta data ainda pode ser
reduzida a menos 40 anos, se o Dr. Mahler, astrônomo de Viena provar
que a sua opinião, baseada em cálculos astronômicos, é verdadeira,
que Ramsés II reinou desde 1348 a 1281 A. C.
Continua
http://br.geocities.com/nmb142000/cronologia_biblica.html
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Segunda fonte:
A idade dos patriarcas
no Antigo Testamento
Pe. Ariel Alvarez Valdés
Tierra Santa - janeiro e fevereiro de 94
Tradução: Mons. Nelson Rafael Fleury
1-
No ano de 1654, um Bispo Anglicano chama James Usher, erudito e
grande estudioso da Bíblia, pensou que era possível estabelecer
exatamente a data da criação do Mundo. Para isto ele se dedicou
ao estudo das cronologias bíblicas e, depois de árduas
investigações, chegou à conclusão de que o mundo fora criado no
dia 6 de outubro do ano 4.004 a.C. - E não fixou somente o dia e
ano, mas deu até a hora exata: eram precisamente 9 horas da
manhã quando Deus disse: "Faça-se a Luz". Isto o Bispo pôde
estabelecer graças ao Livro do Gênesis, onde temos
cuidadosamente anotadas as idades somam uns 2.000 anos. De
Abraão em diante a coisa é mais fácil, já que consta certamente
que de Abraão a Jesus Cristo foram decorridos outros 2.000 anos.
E, de Jesus Cristo até nós, outros 2000 anos. Assim que a
antigüidade do Universo até nossos dias seria de uns 6.000 anos.
- São exatos, porém, estes dados da Bíblia? Podemos aceitar como
históricas as datas de nascimento e morte dos Patriarcas
bíblicos que vão de Adão o único homem que, secundo o Bispo
Usher, já nasceu adulto, até Abraão, e sustentar que a criação
se deu no ano 4.004 a.C.
Os Patriarcas - no capítulo V do Gênesis, encontramos uma lista
de dez Patriarcas chamados "Pré-diluvianos" Porque são
anteriores ao relato do Diluvio Universal. Estes cobrem o espaço
que vai de Adão até Noé. São eles: Adão, Set, Enos, Cainã,
Malalel, Jared, Henoc, Matusalem, Lamec e Noé.
Já no Cap. XI encontramos outro elenco de outros dez Patriarcas,
desta vez chamados de "Pós-diluvianos", e que preenchem período
que vai de Noé até Abraão. Estes são: Sem, Arfaxad, Sale, Heber,
Faleg, Reú, Sarug, Nacor, Tare e Abraão. Com estes 20 Patriarcas
é preenchido o tempo decorrido de Adão, o Pai da humanidade, até
Abraão, o Pai de Israel.
Assim à primeira vista, as datas e os dados referentes a cada
Patriarca parecem ser históricos. Mas, se os analisarmos mais
detidamente, vamos encontrar três grandes dificuldades: 1) que
os Patriarcas tenham sido tão poucos; 2) que tenham vivido
tantos anos; 3) que suas idades vão diminuindo progressivamente.
Com relação ao 1º ponto: Os estudiosos de nossa pré-história tem
confirmado que a antigüidade do homem sobre a terra é muito
maior do que os 6 mil anos propostos na Bíblia. O "homo
sapiens", nosso antepassado, remonta aos 500 mil anos. Sem falar
no "homo Habilis", a primeira espécie considerada humana pelos
cientistas, que há existiria a dois milhões e meio de anos. E
esta seria a verdadeira idade do homem sobre a terra.
Como, pois, colocar somente 4 mil anos entre Adão e Jesus
Cristo? Com relação às outras dificuldades: - chama nossa
atenção a extraordinária longevidade dos Patriarcas. Com todos
os progressos atuais da medicina, a média de vida do homem
moderno não consegue ultrapassar os 70 ou 80 anos. Como, pois, o
homem primitivo para quem , segundo os estudos das condições
sociais e de higiene da época, as perspectivas de sobrevida eram
muito menores do que as nossas, poderia atingir idade tão
avançada?
Outra coisa: A bíblia sustenta, ainda, que de Adão para a frente
o tempo de vida da humanidade foi diminuindo progressivamente.
Por isso os Patriarcas "pré-diluvianos", de Adão a Noé,
conseguiram viver entre 1.000 anos e 700 anos. Ao passo que os
Patriarcas "pós-diluvianos" morreram mais "jovens..." entre 600
anos e 200 anos. Segundo o Gênesis (6,3), o próprio Deus,
cansado dos pecados dos primeiros homens deu um decreto
abaixando suas idades: "d'agora em diante viverão só 120 anos".
Infelizmente para nós constatamos eu, ainda na atualidade,
dificilmente a gente chegar aos anos fixados por Deus!...
É
bom notar que as pesquisas paleontológicas nos assinalam que,
enquanto o homem pré-histórico tinha uma média de vida de só 29
anos, nos tempo de Jesus cristo esta média já era de 50 anos. No
começo do século XIX subiu para 55 anos. E, em princípios deste
século, chegou aos 60 anos. E, atualmente, os habitantes dos
países industrializados tem a esperança de uma média de 75 anos.
3- Para que serve uma genealogia? - Os relatos da longevidade
dos Patriarcas estão em contradição com aquilo que nos
explicitam a ciência? Ou esses números tem alguma outra mensagem
que nos escape ao interpretá-los literalmente? Para resolver a
dificuldade apresentada, isto é, a pouca distância que a Bíblia
coloca entre Adão e Abraão é preciso ter em conta a diferente
significado que tem as nossas genealogias e as genealogias da
Bíblia.
Para nós uma árvore genealógica é um documento de caráter
biológico - histórico. Com este documento intentamos justificar
a verdadeira descendência de uma pessoa e explicar as suas
características genéticas. Por isso não é válida uma cadeia de
nomes se falta entre eles algum elo.
Para a Bíblia, entretanto, uma lista genealógica é um documento
de caráter jurídico que serve para legitimar determinados
direitos. Por isso, na lista genealógico que serve para
legitimar determinados direitos. Por isso, na lista genealógica
da humanidade as palavras "pai", "gerou", "filho" designam não
tanto a idéia de procriação imediata, mas sim a transmissão de
um direito. Por isso não é necessário que as listas genealógicas
sejam completas.
Pois bem: o Autor bíblico precisava encher o imenso espaço que
havia entre Adão, o 1º homem, e Abraão, o 1º personagem do
Gênesis de quem tinha notícia históricas. Os povos vizinhos de
Israel preenchiam esse espaço com personagens mitológicas e
antepassados divinos: deuses, semi-deuses e heróis. E aqui entra
a grande invasão da Bíblia: afim de cortar pelas raízes as
divagações da imaginação e evitar a tentação de cair na
idolatria de divindades antecessoras, o hagiógrafo escolhe
personagens de carne e osso como legítimos antepassados de
Israel.
Na tradição israelita surgiram vários nomes e algumas tabelas
genealógicas. E, embora o Autor sagrado tivesse consciência de
que entre o princípio da humanidade e Abraão houvesse
transcorrido um tempo imenso, ele escolhe para preencher este
tempo somente 10 nomes. "Dez", número redondo muito usado na
antigüidade por razões memotécnicas: era mais fácil recordá-los
com os 10 dedos das mãos. Daí vem esta "casualidade" de que
tanto entre Adão e Noé (Patriarcas pré-diluvianos), como entre
Noé e Abraão (Patriarcas pós-diluvianos), tenha existido
exatamente 10 antepassados. Os dados recolhidos no relato
bíblico não pretendem, portanto, ter um sentido estritamente
histórico nem cronológico. Os 20 nomes são reminiscências de
velhas tradições. Porém, querem ensinar uma verdade religiosa
muito importante: que a Promessa feita a Adão em Gênesis 3,15,
chega até Abraão por uma cadeia ininterrupta de herdeiros.
Existe, pois, unidade e continuidade na História da Salvação. Só
por este imenso valor religioso estas vertustas genealogias
foram inspiradas por Deus e fazem parte da Santa Bíblia.
4- Os números dos longos anos dos Patriarcas - A longa idade dos
Patriarcas é um problema que nos é apresentado pela narração
bíblica. Até pouco tempo esta longevidade era tida como real e
até se acreditava que esta longevidade era um vestígio da
vitalidade do homem primitivo, lá nas suas origens. Ainda hoje
muitos continuam apegados a esta interpretação literal.
Recentemente um pastor protestante explicava esta longevidade
assim: A atmosfera daquela época estava condicionada a uma
espécie de "hibernação", preparada por Deus no 2º dia da criação
(Gn 1,7), quando separou as águas de cima das águas de baixo.
Esta "hibernação" permitia a vida em excelentes condições
biológicas, até que foi destruída pelas águas do dilúvio
universal. Interpretações deste tipo, além de não terem nenhum
apoio científico, são inaceitáveis. Com efeito: um exame mais
atento nos mostra muito bem que o texto bíblico especulou com o
valor simbólico dos números, como se fazia habitualmente no
antigo Oriente.
Por exemplo: Por que Adão morreu aos 930 anos? - Porque este
número é igual a 1.000 (o número de Deus, segundo o Salmo 90,4)
menos 70 (o número da perfeição). Quer dizer: que por seu
pecado, a Adão restou o nº. da perfeição e não pode alcançar o
nº de Deus. - Cainã, o 4º da lista pré-diluvianos (5,12) gerou
seu filho aos 70 anos (nº. da perfeição). E viveu ainda outros
840 anos, quantidade que eqüivale a 3 (nº. da Trindade)
multiplicado por 7 (nº. perfeito) multiplicado por 40 (nº. muito
usado na Bíblia na Bíblia e que representa o tempo de uma
geração). - HENOC, o 7º da lista, viveu 365 anos, cifra pequena,
porém perfeita, pois corresponde aos dias do ano eu eternamente
é repetido. Por isso Henoc é o único da lista do qual não se
menciona a morte. E só se faz esta surpreendente afirmação:
"andou com Deus e desapareceu porque Deus o levou" (5,24). Por
isso, também ocupa o 7º lugar na lista, 1ugar perfeito. Lamec, o
9º, foi Pai aos 182 anos, ou seja 7 multiplicado por 26 semanas
(que são exatamente a metade de um ano solar). Viveu um total de
777 anos.
Também a idade de Noé é simbólica. O dilúvio sobreveio quando
ele tinha 600 anos, ou seja 10 multiplicado por 60. Pois bem, 60
representa a divisibilidade máxima (por 2, 3, 4, 5, 6) e
portanto, a síntese do sistema sexagonal e decimal. Um dos mais
interessantes jogos de números simbólicos é o das idades dos
Patriarcas posteriores, isto é, Abraão, seu filho Isac, e seu
neto, Jacó. A Bíblia diz que os três morreram respectivamente
com 175, 180 e 147 anos.
Abraão: 175 anos = 7x (5x5)
Usac: 180 anos = 5x (6x6)
Jacó: 147 anos = 3x (7x7) - Aqui o multiplicador começa em
Abraão com o nº perfeito 7, que é um nº primo. Passa ara Isac
com o nº primo logo abaixo 5, e chega a Jacó com o nº primo 3.
Enquanto estes números 7, 5, 3 diminuem os números multiplicados
se repetem duas vezes e aumentam progressivamente: 5, 6 e 7. E
não para por aqui: se em vez de multiplicar, somarmos estes
números teremos:
Abraão: 7 + 5 + 5 = 17
Isac: 5 + 6 + 6 = 17
Jacó: 3 + 7 + 7 = 17 - Quer dizer: todas as somas dão 17 que,
além de ser nº primo, é a idade que José, filho de Jacó, havia
vivido com seu Pai quando seus irmãos o venderam para o Egito (Gn
37,2), e que mais tarde o mesmo José viveu junto a Jacó no País
do Nilo (Gn 47,28).
Estes complicados jogos numéricos provavelmente teriam algum
outro sentido que nós ignoramos. Da mesma forma, também, nos
escapa o significado dessas idades dos patriarcas pré e pós
diluvianos e ficamos sem saber qual realmente era a intenção do
Autor sagrado.
De qualquer forma temos certeza de que estas cifras pretendiam
expressar um ato de fé: que na vida dos Patriarcas nada
acontecia por acaso e que suas vidas foram agradáveis a deus nos
anos que eles viveram.
Finalmente resta-nos analisar o problema da diminuição
progressiva das referidas idades. Também aqui está contida uma
verdade teológica. Para os escritores bíblicos a idade de uma
pessoa e vida longa dependem de sua fidelidade a Deus. isto está
dito várias vezes no texto sagrado. O livro do Exôdo, por
exemplo, ao enumerar os dez mandamentos aconselha: "Honra teu
pai e tua mãe para que tenhas longa vida" (20, 12). E o Livro
dos Provérbios afirma que "o respeito a Deus prolonga a vida,
porém os anos dos maus serão diminuídos" (10,27). Portanto, o
encurtamento progressivo das vidas dos Patriarcas não é um fato
biológico, mas uma idéia teológica: ao ir a humanidade se
afastando de Deus, as pessoas vão vivendo menos. Até o próprio
Deus, quando viu que a corrupção era generalizada, disse: "...
(O homem) já não viverá mais do que 120 anos" (Gn. 6,36). De
acordo com esta perspetiva de que a idade estava em função dos
pecados, Noé que viveu 950 anos era um homem santo.
Por que este modo de pensar daquele tempo? Porque no Antigo
Testamento não havia, ainda, uma noção clara da vida depois da
morte. Conforme a mentalidade da época, já que Deus não tinha
como premiar os bons depois de sua morte, premiava-os já aqui na
terra com muitos anos de vida. assim, quando se queria dizer que
uma pessoa fora boa, dizia-se que ela viveu muitos anos. O
pecador, ao contrário, teria morte prematura. Muitos anos de
vida era a bênção de Deus para as pessoas justas. Como o justo
Jó, de quem a Bíblia fala que morreu ancião e coberto de dias
(42,17), um dado sem importância se não contivesse uma mensagem
religiosa. Da mesma forma, Abraão, Isac, Jacó e todos os
Patriarcas que completam o espaço entre Adão e Abraão: viveram
muitos anos porque todos eram justos e por isso merecedores da
recompensa divina.
A
promessa, pois, de bênção de deus que cada um transmitia a seus
descendentes desde Adão, chegou sã e salva até nós através de
boas mãos.
Será Cristo que vai trazer a grande novidade, já insinuada pouco
antes de sua vinda, de que o homem continua vivendo depois desta
vida terrena. Isto é, o homem tem vida eterna.
Então já não há mais necessidade de se aumentar a idade das
pessoas para dizer que deus as recompensa. Basta dizer que ao
morrer foram gozar o prêmio eterno. De Cristo em diante o que
importa não é quantos anos se vive, mas como se vivem estes
anos. Já não existem vidas longas nem vidas curtas, mas vidas
com sentido e vidas sem sentido.
É
verdade que atualmente a ciência médica conseguiu prolongar a
vida do homem sobre a terra até os 70 anos, mas ou menos, ou que
corresponde a umas 4.000 semanas de vida... Porém, isto não é o
mais importante. Se uma pessoa soube amar e servir ao próximo
com desinteresse, se sua mão esteve sempre estendida para ajudar
o necessitado, se foi sensível à dor alheia, se fez o que pôde
para enxugar as lágrimas dos outros, sua vida foi um verdadeiro
êxito, mesmo tendo vivido poucos anos - "Cnsumatus in brevi
explevit tempora multa - embora vivendo pouco tempo completou
uma longa jornada" - como nos diz a liturgia.
No contexto dos Patriarcas que duraram muitos anos na terra,
segundo a mentalidade do Antigo Testamento, uma vida como a de
Jesus Cristo, que morreu com menos de 40 anos, teria sido um
fracasso e um sinal de maldição divina. Porém hoje nós sabemos
que o que importa não é viver muitos anos, mas viver plenamente
os poucos ou muitos anos de nossa vida. viver por viver,
perdurar, não terá nenhum mérito se não se der um verdadeiro
sentido a esta vida. |
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