ALMANAQUE INFO  APRESENTA

20.000 LÉGUAS EM FIGURINHAS

 

 


 

EDITORA VECCHI -  (DO FILME  DE WALT DISNEY)

1956

20.000 LÉGUAS SUBMARINAS EM FIGURINHAS (raridade)

 (Página 01)

20.000 léguas submarinas

de Walt Disney

Baseado no célebre livro de JULIO VERNE, agora num álbum de empolgantes figurinhas

 
Poucos jovens da atualidade terão deixado de ouvir falar em Júlio Verne, se é que já não leram alguns de seus livros.

Foi Júlio Verne um dos grandes escritores do século passado, e o que mais notabilizou as suas obras foi o assombroso poder de imaginação que revelava o autor. Na época em que foram escritas, as suas narrativas não passavam, talvez, de meras fantasias, que muita gente situou no domínio do absurdo. Os anos, porém, se encarregaram de convertê-las em realidade ou de colocá-las em vias de concretização. É que Júlio Verne tinha um poder de previsão extraordinário. Com os conhecimentos rudimentares do seu tempo, construiu um mundo imaginário com cem anos de antecipação. A bomba atômica, a televisão, a lâmpada fluorescente, o alto-falante, o microfone, o submarino e tantas outras coisas hoje quase corriqueiras foram por ele imaginadas em seus livros.

Para bem julgarmos o avanço que Júlio Verne alcançou em relação à sua época, baste-nos transcrever as seguintes linhas de um jornalista francês, publicadas em 1920:

"Júlio Verne se enganou: predisse o fracasso do "mais leve que o ar" e, no entanto, aí estão os zepelins. Imaginou o helicóptero e o helicóptero continua a não existir. Finalmente, a viagem à Lua permanece no domínio do absurdo."

Alguém seria capaz de escrever isso hoje em dia?

Dentre os livros de Júlio Verne, um dos mais notáveis é, sem dúvida, VINTE MIL LÉGUAS SUBMARINAS. Foi este livro que Walt Disney, o grande mago do cinema, transportou para a tela, fazendo, para isso, descer ao fundo do mar 83 atores e técnicos em escafandro, além de ter formado um "elenco" marinho que compreendia 3000 pequenos peixes, 1000 tubarões de tamanho médio, 6 grandes, 500 lagostas, 12 raias e 15 tartarugas de 200 quilos.

É essa mesma obra que a Casa Editôra Vecchi Ltda., transpolantando-a por sua vez da tela, tem a grata satisfação de apresentar em sensacionais figurinhas mágicas. Terá, assim, o colecionador uma visão do miserioso fundo do mar, com a sua vegetação estranha e os seus animais horrendos ou curiosos, e conhecerá a maravilhosa e arrojada concepção do "Nautilus", de Walt Disney, a par de uma série de eletrizantes aventuras marinhas.

É uma Coleção Relâmpago de

OS LIVROS DE OURO DA JUVENTUDE

 
 

O professor Aronnax, do Museu Nacional de París, universalmente conhecido pelos seus trabalhos oceanográficos.

Nota do AI: O nome correto do professor é Arronax, para ser preciso: Pierre Arronax, ou, Pedro Arronax.

 

Conseil, empregado do professor Aronnax e que também lhe serve de assistente nos seus trabalhos cientificos.
Ned Land, famoso pescador de baleias, considerado o mais hábil. O capitão Nemo, comandante do Nautilus, homem de grande inteligência, que fugira ao convívio com a humanidade e fizera notáveis descobertas cientificas.
Em toda a S. Francisco correm rumores a respeito de terrível monstro marinho que afunda navios nos mares do Sul e dele se contam histórias de arrepiar. Dando corpo a tais rumores, um velho marujo, do alto de um carro, dirige-se a alguns marinheiros e adverte-os do perigo de embarcarem para aquelas bandas. Ned Land, com um grupo de amigos, chega casualmente ao local no momento em que o velho marujo dizia: "Não sejam tolos! Se zarparem para os mares do Sul, jamais retornarão a S. Francisco; o monstro marinho destruirá o navio!"
"Qual monstro, qual nada! Isso é baleia!" exclama Ned Land, aproximando-se do velho marujo. Este se irrita com aquelas palavras, responde asperamente e não tardou que entre ele e o arpoador surgisse acalorada discussão. Num instante a discussão se transformou em briga, e os dois homens ficaram durante algum tempo a trocar murros, no meio do vozerio da multidão que os rodeava.

Chamada com urgência, a polícia intervém prontamente e põe termo no tumulto. O velho marujo e Ned Land são presos e levados a delegacia mais próxima. Nesse momento, o professor Aromax e Conseil chegam ali em seu carro. Os cavalos estacam na rua atravancada de povo. Conseil está de pé e ainda tem tempo de ver Ned Land ser levado pela polícia.
Cessado o tumulto, o carro retorna a sua marcha e para diante de uma companhia de navegação. Aparecem então alguns repórteres. Querem entrevistar Aronnax. "Professor, o senhor acha que o monstro existe?" pergunta um deles. "Quem sabe?" responde Aromax. "Há seres estranhos no fundo do mar..." No escritório da companhia de navegação, os repórteres continuam a entrevistar o professor. "Algum deles será capaz de arrastar um navio para o fundo do mar? pergunta outro repórter. "Se for suficientemente grande..." responde Aronnax: "É bom não publicarem isso no jornal". Intervém Conseil.
Já na rua, os repórteres conferem as suas notas. "Parece que o monstro existe mesmo". diz um. "Também acho" responde outro. "Vamos depressa para a redação. O nosso artigo de hoje vai ser sensacional!" "Veja o que publicaram!" exclama Aronnax ao chegar à tarde no seu hotel. E, ao lado de Conseil, abre um jornal, onde se lê, em letras garrafais:"O MONSTRO EXISTE!" AFIRMA UM CIENTISTA FRANCÊS." "Eu não disse isso!" exclama o professor aborrecido.
Nesse momento entra na sala um homem que deseja falar ao professor Aronnax. "Em nome do governo americano, venho por à sua disposição a fragata armada "Abraão Lincoln" para o levar a Saigon. Em compensação queremos que o senhor, em caminho, investigue a veracidade dos rumores sobre o monstro marinho. Como as empresas de navegação tinham suspendido as viagens de seus navios, pois as tripulações, amedrontadas com as noticias sobre o monstro marinho, recusavam embarcar, o professor aceita com prazer a proposta. E alguns dias depois, a fragata "Abraão Lincoln" zarpava de S. Francisco, rumando para o Sul.

Após algumas semanas de viagem, a fragata chega aos mares do Sul. Na ponte de comando, o timoneiro está ao leme junto do capitão Farragut, enquanto um oficial anota cuidadosamente a posição do navio. O comandante da fragata, de binóculo em punho, observa constantemente as águas, sem ver nada que lhe chame a atenção. "Hum!" pensa consigo mesmo. "Desconfio que esse monstro não passa de algum espadarte e não creio que tal peixe possa afundar navios..."
Enquanto o navio cruza o mar em vários sentidos, Aronnax e Conseil não saem do seu posto de observação. A cada instante o professor perscruta o oceano. Mas não vê nenhum vestígio de monstro marinho. Com o balanço do navio, Conseil começa a enjoar. Ned Land, porém, afeito ao mar, está sempre bem disposto, de ótimo apetite, e não para de comer bananas.
Um mês se passa sem novidade, até que um dia o gajeiro, no alto do mastro, dá o alarma. A tripulação da fragata corre para a amurada. Todos os olhos se fixam na direção do mar. Mas não era nada: apenas um falso alarme. Outro mês se passa. Ned Land barbeia-se tranquilamente na coberta, quando soa novo alarme. Os tripulantes ficam em alvoroço e alguns se penduram na cordoalha do navio para melhor observar o oceano.
Há um momento de grande expectativa entre todas as pessoas de bordo, que se debruçam mais uma vez na amurada. Mas, como na vez anterior, o gajeiro dera um falso alarme. Certa noite, o comandante reúne os seus convidados na sala principal do navio e lhes explica que, durante esses dois meses, a fragata cruzara o oceano em todas as direções, sem nada avistar de extraordinário.

"É evidente que o tão falado monstro marinho não existe" declara. "Por conseguinte", acrescenta, dirigindo-se ao professor Aronnax, "vou dar por terminadas as buscas e deixar o senhor e seu assistente em Saigon, de acordo com o prometido. "Lamento muito, senhor Aronnax, que o seu museu tenha perdido esse esplendido troféu" diz Ned Land em tom brincalhão. "Quem sabe se não foi melhor assim... " responde o professor.
Ned Land vai então para a coberta e põe-se a cantar, acompanhando-se ao violão. Os marinheiros sentam-se a sua volta; um deles toca uma sanfona. Ouvem-se canções alusivas ao monstro marinho, mas todas em tom zombeteiro. "Ó da coberta!" grita de repente o vigia do alto do mastro. "Há qualquer coisa flutuando a estibordo!".

Desta vez não se tratava de engano. Toda a gente de bordo, inclusive Ned Land, que parara de cantar, se dirige ao parapeito do navio para ver o que há.

Um objeto luminoso, sulcando as ondas e deixando atrás de si um rasto de espuma, dirigia-se veloz para a fragata. Parecia uma enorme baleia. "O monstro!" gritam os tripulantes todos ao mesmo tempo. Os marinheiros precipitam-se para os seus postos junto dos canhões e preparam-se para atirar, enquanto o capitão Farragut ordena ao pessoal das máquinas que dê máxima velocidade ao navio.
Um dos canhões da fragata dispara, mas não acerta no alvo. E o estranho objeto luminoso continua a navegar com incrível rapidez, aproximando-se ameaçadoramente do "Abraão Lincoln". Ned Land, armado de um arpão, galga o parapeito do navio, pula para dentro de um escaler que balouça junto ao costado da fragata e, em posição de ataque, fica aguardando a chegada do monstro.

De súbito, ouve-se um estrondo medonho. O monstro abalroa violentamente a fragata. O professor Aronnax cai no mar e Conseil se atira da amurada para socorrê-lo. Atingido abaixo da linha da água, a fragata em poucos instantes vai a pique. Durante a noite inteira, Aronnax e Conseil, agarrados a um pedaço de mastro, ficaram flutuando à mercê das ondas. Quando amanheceu, viram-se envolvidos por espesso nevoeiro e estavam entorpecidos de frio. "Se ao menos pudéssemos ver alguma coisa... " dizia o professor.
Aos poucos, através da neblina, avistam um grande vulto escuro. Era uma embarcação. Mas uma embarcação estranha: tinha forma de peixe, com uma ampla cauda e uma espécie de crista na proa, terminada num esporão. Media cerca de 60 m de comprimento e era feita de chapas de ferro unidas por arrebites. "Então isto é que é o monstro?" perguntou Conseil admirado. Os dois homens sobem à coberta e encaminham-se para a portinhola envidraçada de uma pequena torre. "Que estranha cabina de comando!" exclama Aronnax. "Não há dúvida, estamos num submarino." "Submarino?" murmura Conseil.
"Sim, um navio que anda debaixo d´água" explica Aronnax. E seguido de seu assistente, caminha ao longo da coberta, onde se vêem algumas chapas de ferro levantadas. "Isto são alçapões de respiração" acrescenta. Decidido a investigar o interior do submarino, Aronnax penetra por uma escotilha aberta. E vai ter a uma grande sala, luxuosamente mobiliada. Ricos tapetes orientais cobrem o chão, e do teto, duas grossas cortinas vermelhas caem junto de duas poltronas também vermelhas. Ao fundo, ergue-se um magnificente órgão; seus tubos de ouro projetam-se como um leque na direção do teto, que era de ferro e aço.
Na outra extremidade da sala viam-se lindos quadros e tapeçarias decorando as paredes, confortáveis divãs forrados de veludo vermelho e, ao lado, estantes com livros. Um grande mostruário de vidro sustentado por pernas de ferro estava no centro da sala. Enquanto Aronnax examina o interior do submarino, Conseil, que ficara na coberta, vê Ned Land aproximar-se, escarranchado num bote virado de quilha para cima e empunhando um remo. Ajuda-o então a subir para bordo.

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