Durante os últimos anos do século XVIII, os representantes da França em Portugal - com exceção de Antonio d'Arbaud - mantiveram um linha de procedimento, que se coadunava com os invioláveis ritos da corte, com as infringíveis praxes de etiqueta. O general Lannes, ministro plenipotenciário da Republica Francesa, é que se afastou dessa linha, traçada principalmente pelos seus dois antecessor, o Márquez de Bombelles e o conde de Chalon,

embaixadores de Luiz XVI. Lannes chegou em março de 1802 e morou, primeiro, em Buenos Aires, nas casas do desembargador Santa Marta, antecedentemente habitadas pelo cônsul da Inglaterra, mudando-se depois para a hospedaria inglesa, de Thomas Williams, no palácio de D. José Lobo da Silveira, na esquina do largo do Conde Barão e da rua dos Mastros. Sua petulância tarimbeira era de tal quilate que, quando ele visitava o príncipe D. João, em Queluz, perguntava sempre, com espírito de soldado:

 

- "Mr. du Brésil, está em casa?"

Se o príncipe punha embargos a qualquer documento, que o secretaria da legação francesa lhe apresentava para assinar, Lannes acudia logo, num indicio de cólera: - "Ah! Ele não quer assinar? Vamos ver! O negocio agora é comigo!"

E o príncipe acabava por se submeter ao roncador. Não é de admirar que Lannes assim compreendesse as funções de embaixador, porque possuía educação restrita. De resto, quase todos os oficiais superiores do exercito de Napoleão punham de manifesto a mesma arrogância.

Mas, em 12 de abril de 1802, uma segunda feita, Lannes teve um rasgo de delicadeza e mandou um valiosíssimo presente ao príncipe D. João, presente, que foi levado a Queluz por seu secretário Sr. Fitte e consistia num manto de veludo verde e um selim bordados a ouro com coldres riquíssimos, duas pistolas da fabrica de Versalhes, delicadamente  trabalhadas, arreios e freio para cavalo igualmente luxuosos e uma espingarda de dois tiros para a princesa D. Carlota Joaquina.

O príncipe retribuiu esta delicadeza com outra, porque, em junho, enviou a Lannes por João Diogo de Barros (futuro visconde de Santarém) , seu guarda-jóias, um retrato seu circundado de diamantes e encimado por uma coroa de pedrarias, uma espingarda especialmente fabricada na Fundição, dois pares de pistolas, uma grande de dois canos e outra pequena, tendo os respectivos polvorinhos, em vez de pólvora, ouro em pó e 24 balas, sendo 12 grandes e 12 pequenas, também de ouro.

Durante esta missão de Lannes, rebentou um grande escândalo na corte de Queluz. D. Eugenia José de Menezes, filha do conde de Cavaleiros, dama camarista do paço e, segundo se dizia, ex-amante do príncipe regente, fugiu com o medico da real câmara, João Francisco de Oliveira, homem casado e com quatro filhos, bem falante em várias línguas, mas reincidente nestas façanhas, porque já fora expulso da ilha da Madeira como desinquietador de famílias e andara na campanha de Roussillon, de onde trouxera uma francesa e na campanha do Alentejo, onde raptara uma freira.

Lannes pediu passaportes, partiu na madrugada de 10 de agosto de 1802, terça feira, para Aldegallega e rumou para Paris, onde não aqueceu o lugar, porque, em 11 de março de 1803, sexta feira, voltava a Lisboa.

Então, estabeleceu residência no palácio do largo do Loreto, que fora mandado edificar em 1791 pelo rico negociante Francisco Higino Dias Pereira, palácio adquirido em 1830 por João Ferreira Pinto Basto, que nele recebeu a visita de D. Pedro IV em 29 de julho e 2 de agosto de 1833, segunda e sexta feiras respectivamente.

Nessa segunda incumbência, Lannes mudou de tática. Se, na primeira, fora brusco, impertinente, fanfarrão, na segunda foi ameno, persuasivo. Suas conferencias com o príncipe regente ampliaram-se e teve algumas noturnas, como a que se realizou na noite de 18 de novembro de 1803, uma sexta feira, para ultimar a combinação da neutralidade, selada, enfim, pelo inapelável tratado de 19 de março de 1804, segunda feira, o que motivou enviar-se ainda por cima, a Talleyrand, um presente composto, de uma caixa de rapé guarnecida com brilhantes e um anel com um solitário.

Em certa ocasião, andando o príncipe regente em uma caçada de perdizes nos arredores de Queluz, apareceu repentinamente o general Lannes, que depois o acompanhou na partida de caça e foi presenteado com uma lebre por sua alteza.

Em outra ocasião, Madame Lannes, presenteou D. Carlota Joaquina, então no paço de Mafra, com uma coberta de cama, toda de rendas maravilhosas, pelo que o ajudante de seu marido, condutor da dádiva, recebeu daquela princesa uma belíssima "sortilha", em que se entrecruzavam os raios de pedras valiosas.

Lannes conseguiu assim tornar-se persona gratissima ao príncipe regente. Este ficou tão agradecido ao pseudo diplomata, que ele e D. Carlota Joaquina apadrinharam um seu filho, batizado com o nome de João, na real capela da Bem-posta, em 29 de setembro de 1803, quinta feira.

 O batizado celebrou-se consoante as inflexíveis regras do protocolo, sendo o neófito conduzido nos braços de sua mãe, acompanhada pelas marquesa de Lumiares e de S. Miguel e por seis damas. O padrinho brindou o general francês com um presente avaliado em quatro mil libras esterlinas, fora três duplos punhados de brilhantes; e a madrinha presenteou Madame Lannes com seu retrato, circundado por três ordens de diamantes e fechado por uma coroa.

A noite o enviado francês deu uma luzida reunião em seu palácio.

Mas, como reza o dito latino, non semper erunt saturnalia. O general Lannes, promovido a marechal, teve de abandonar a corte de Lisboa e tomar o caminho da França na madrugada de 31 de julho. Sua esposa partiu na fragata Carlota para Lorient, tendo por companheiro de viagem D. Lourenço de Lima, novo embaixador em Paris, que conduzia uma coroa fosforescente de riquezas lapidarias e um cetro em que brilhavam esplendidos diamantes, objetos avaliados em seiscentos contos de reis e oferecidos pelo príncipe regente ao imperador dos Franceses, afim de lhe servirem em sua coroação.

Talleyrand quis confiar a nova embaixada em Lisboa ao marechal Lannes, mas, como este não estivesse pelos autos, Napoleão pos a mira em Junot, que aceitou vir para uma corte, que era "uma casa sem rei nem roque". segundo a frase do próprio Lannes. Aceitou-a porem, com relutância, porque seu desejo era engolfar-se na voluptuosidade vermelha das batalhas, na gloria sangrenta das conquistas.

Por decreto de 4 de pluviose, do ano 13 do calendário revolucionário francês (*), 23 de janeiro de 1805, quarta feira, o coronel general Junot foi nomeado embaixador em Lisboa e Sr. de Rayneval foi nomeado seu secretario.

O novo embaixador, sua esposa e sua filha vieram juntos até Bayonne, onde Junot encontrou ordens formais do imperador e, em virtude delas, seguiu com urgência em companhia de seu ajudante Laborde para Madrid, enquanto Madame Junot prosseguia em seu coche de collera e se via em apuros para se livrar das unhas farpantes dos bandoleiros espanhóis.

O casal Junot partiu juntos de Madrid e, perto de Trujillo, encontrou Jerônimo Bonaparte, futuro rei de Westfalia, que vinha de Lisboa, onde estivera hospedado na "Casa de Pasto" de Carlota Montana, no largo de São Paulo, número 12, moderno segundo andar e onde deixara temporariamente sua esposa, a linda Elisabeth Paterson, a quem o Sr. Serrurier, cônsul e encarregado de negócios da França, se negara a entregar passaporte. Um outro Bonaparte, o Luciano, que, na qualidade de embaixador na Espanha, firmara o deplorável tratado de Badajoz em 1801, fora presenteado com velho moscatel de Setúbal por D. Carlota  Joaquina, vinho que figurou entre as sete mil garrafas da frasqueira de Carlos X, vendida depois do trono ser arrastado pelo ciclone revolucionário de 1830.

Junot chegou á corte de Lisboa no dia 12 de abril de 1805, sexta feira, fixando residência no palácio do largo do Loreto, do qual ficou devendo 1:600$000 de aluguel anual,  a mesma que pagava Lannes. Defronte desse palácio no quarto andar do prédio que circunda  a a rua do Outeiro para o largo S. Carlos, tinham morado o cônsul Serruier e o celebre sopranista Crescentini, que, com sua voz hermafrodita e seus gestos andróginos, fanatizara o publico do teatro lírico. A principio, Junot desgostou-se da casa, por motivo da vizinhança da Encarnação, cujos sinos lhe azoavam a cabeça e parece que desejou mudar-se para o palácio de Palhavã.

Em torno do novo embaixador, condensou-se logo uma balsâmica atmosfera de simpatia. Uma carta confidencial do ministro dos estrangeiros ao conde de Villa Verde dizia:

- "Conheço o novo nomeado para embaixador, tem maior talento e é mais amável do que Lannes, porem julgo que as intenções serão as mesmas".

Uma carta do conde de Ega, datada de 14 de abril , dizia ao mesmo Villa Verde:

- Estive com Junot, que é vivaz, tem boa presença e maneiras". E outra carta secreta do citado estadista a Villa Verde, apreciava assim o Junot: - "Modo, figura e expressões, tudo previne em seu favor".

Junot visitou os secretários de Estado o duque de Lafões e o patriarca, para o qual trazia uma carta de recomendação, até que, pela 1 hora da tarde  de quarta feira, 24 de abril, ele e sua esposa foram recebidos em audiência solene no paço de Queluz, servindo de introdutores o Márquez de Bellas e conde de Almada.

O embaixador e a embaixatriz tiveram de cumprir rigorosamente o formulário regimental da pragmática, as tirânicas leis da cortezanice, que então possuíam a majestade lenta e complicada das liturgias. Segundo pragmatisava o cerimonial, Madame Junot levou o panier ou o donaire, cuja elegância redundante deixara de ser moda na França havia dezessete anos!

Uma testemunha presencial diz que Junot "deu seu recado com polidez e civilidades." entregou as credenciais, uma carta autografa de Napoleão para o regente e uma caixinha quadrada, de que portador o coronel Laborde e que continha sete grão-cruzes da Legião de Honra, sendo uma - com placas de diamantes - para sua alteza real e as outras para os duques de Lafões e de Cadaval, conde de Vila Verde, Márquez de Bellas, ministro dos estrangeiros e D. Lourenço de Lima, embaixador em Paris. Depois, foram recebidos em audiência particular por D. Carlota Joaquina, D. Maria I e D. Maria Benedita.

Nesse dia, as damas palatinas estrearam um traje azul e vermelho, que a princesa real lhes mandara fazer para as recepções solenes. Madame Juno, ao vê-las tão caricaturais e sentadas no solo com as pernas cruzadas - porque, ante os monarcas, as damas só se sentavam no chão ou em tamboretes - comparou-as a cacatuas.

Excepcionalmente, D. Carlota Joaquina não tivera a idéia de se apresentar, como costumava fazer nos "beija-mão", com um vestido de chita afogado no pescoço e de grande cauda e como a banda das Três Ordens, a tiracolo, ao invés do que, mais tarde, praticava nos "beija-mão" no Rio de Janeiro, em que luzia um vestido de cauda roçagante de veludo e ouro, preciosa confecção de Madame Josefine, da rua do Ouvidor, a modista estampilhada com o sinete do gosto requintado, a modista, que ainda logrou impor o ultimo figurino ás cariocas elegantes do império de D. Pedro I.

Junot achou que a princesa era feia como as Eumenides.

No dia imediato, 25 de abril, aniversario natalício de D. Carlota Joaquina, houve beija-mão em Queluz, onde o espetaculoso embaixador se apresentou com grande luxo, ostentando seu belo uniforme de cor mel de hussaros, todo reluzente de outro e com uma capa de bruada de peliças de raposa azul, mas conservando o shako flamante na cabeça, desprimor que sumamente agravou a prosapiados áulicos, mas não impediu que o regente lhe mandasse pedir o uniforme para modelo de outros dois, destinados a ele e a seu filho Pedro, uniformes que foram feitos pelo Sr. Pierre Duprat, alfaiate de sua alteza real, estabelecido no primeiro andar, lado esquerdo, que hoje tem o número 17, fronteiro á calçada do Sacramento.

A missão diplomática de Junot cifrava-se em induzir Portugal a fechar os portos aos navios ingleses e estipular um tratado de aliança entre o império, Portugal e Espanha. Mas, antes de se encetarem as negociações, houve um incidente.

No dia 6 de maio, entrou no Tejo uma frota de 70 velas inglesas, que queria viveres e desembarcar a maruja, ao que o embaixador francês pos óbices, porque reputou uma infração de neutralidade. Este caso prestou flanco ás investidas de Junot, que lançou três notas diplomáticas, a ultima das quais com o tom agressivo de um ultimato, o que compeliu o gabinete português a influir junto do almirante inglês, que apenas o vento permitiu retirou-se.

Junot conferenciou, pela primeira vez, com o príncipe na noite de 19 de maio, no paço de Queluz, estando presente o conde de Villa Verde e Antonio de Araújo de Azevedo, que se retiraram dali para Lisboa depois de soar a meia-noite.

As 8 horas da noite de 27 de junho, o embaixador conferenciou, de novo, com o príncipe em Bemposta e no domingo, 7 de julho, foi a Cintra, afim de assistir ao banquete que Antonio de Araújo ofereceu ao corpo diplomático na "Casa de Pasto"da irlandesa Mrs. O'Daisy Cassidy (depois o hotel Lauwrence) e onde, quatro anos depois, se hospedara lorde Buron, que, numa alcova do segundo andar, escreveu o primeiro canto de ChildeHarolde e lançou a majestosa púrpura das sua rimas sobre a paisagem de Cintra.

Junot inaugurou as suas recepções ás quintas-feiras, em que havia jogatina de voltarete, cassino, quinze e whist, o forte do embaixador. celebrizou-se a assembléia do aniversario natalício de Napoleão, em que, apos o jantar, se realizou um grandioso baile, iluminado pelas alegrias desenfreadas do luxo.

As bancas, guarnecidas de bronze e pedra branca, encostaram-se braços osculados pelo beijo luminoso e frio das pedras irradiantes; nas cadeiras e nos canapés estofados de nobreza, sentaram-se modelos de impecabilidade corpórea, cuja formosura era triplicada pela mentira dos cosméticos.

Enquanto as retardatárias retocavam as garridices capilares no gabinete de vestir, nas salas chilravam sedas, ferviam rendas que rebentavam em jatos de espuma, soavam vozes que se diriam notas perdidas de flautins de prata, ramalhavam leques empunhados por mãos delicadas cuja graça rítmica tinha o vôo balançado de uma asa. E os sons da orquestra derramavam azougue nas pernas dos valsistas, enquanto nas laminas dos espelhos se animatografava uma rotação continua de colos de neve sublinhada de âmbar, decotes riscados em triangulo isósceles, gargantilha de topázios, plumas tremulantes, sedas de cor das lamas de Paris, musselinas da Índia, casacas verdes e calções de seda.

Junot freqüentou assiduamente o teatro de S. Carlos, onde teve de assinatura o camarote número 41 e onde o viam com sua esposa, o coronel Laborde e Rayneval, um amador musical de primeira ordem.

Por despacho de 22 de setembro de 1805, domingo, Talleyrand ordenou a Junot que regressasse a Paris e se desculpasse com o governo português, dizendo-lhe que partia em gozo de uma licença há muito reclamada. A 6 de outubro, Junot foi visitar sua esposa em Caldas da Rainha e a 12 foi a Mafra, despedir-se do príncipe.

Jantou ai com o conde de Villa Verde, os outros ministros e o marques de Pombal, camarista de semana, jogou o whist com o conde de Villa Verde e pernoitou no paço. A 19, voltou a Mafra, para definitivamente apresentar suas despedidas e veio jantar em Lisboa.

Como tinha as bagagens prontas, a 20, domingo, sua carruagem de posta partiu para Madrid, onde apos breve detença, montou a cavalo e seguiu a toda brida até Paris.

Sua esposa, que se transportara numa liteira de Cintra para as Caldas da Rainha, tornou á capital a 25, despediu-se a 26 do príncipe D. João, que, para este efeito, veio propositadamente ao paço de Belém e assistiu a um banquete que o ministro dos negócios estrangeiros lhe ofereceu e no qual a famosa cantarina Catalani soltou as perolas de sua voz.

Finalmente, a 1 hora da tarde de segunda-feira, 9 de dezembro, D. Carlota Joaquina concedeu-lhe uma audiência de despedida em Queluz; a embaixatriz deixou Lisboa a caminho de Madrid, onde, por ordem de Taleyrand, colheu informações acerca da doença da princesa das Astúrias, que diziam envenenada com um veneno lento por d. Manuel Godoy, amante da rainha Maria Luiza, posto que lorde Holland, em seus Souvenirs Diplomatiques, afirme que ela morreu provavelmente de morte natural.

Quando chegou a Paris, já seu marido redourara as dragonas com o sol brilhante de Austerlitz.

Ao fim de dois anos, aquele mesmo Junot, que fora embaixador em Lisboa, devia ser investido no comando do exercito de observação da Gironda, encarregado de ocupar Portugal e deveria essa investidura não só ao fato de conhecer nosso pais, mas também ao fato de manter relações amorosas com a branca e bela princesa Carolina Bonaparte. E o imperador querer cortar rapidamente essas relações...

Autor: Pinto de Carvalho

NOTA DA REDAÇÃO DO ALMANAQUE INFO
(*) Na primeira sessão da Convenção de 21/09/1792, decretou-se a abolição da realiza, proclamando-se a República alguns dias depois. Em conseqüência, foi adotado um calendário específico, substituindo o gregoriano, com pretensões de torná-lo Universal.

Os nomes dos meses inspirados na condições climáticas ou agrícolas:

Vendêmiarie, Brumáire, Frimáire, Nivôse, Pluviosde, Ventôse, Germinal, Floreal, Prairial, Messidor, Thermidor, Fructidor.

Os meses foram divididos em 3 decadas, numeradas de 1 a 3, e os dias, de 1 a 10, na respectiva década:

Primidi, Duodi, Tridi, Quartidi, Quintide, Sextidi, Septidi, Octidi, Nonidi, Décaldi.

Posteriormente, as décadas foram intituladas com nomes tirados de planta, animais ou de objetos acrícolas.

O ano I do calendário revolucionário teve início à meia noite do Equinócio verdadeiro do Outono, segundo o meridiano de París (22/09/1792).

Eliminou-se as festas religiosas católicas, os nomes dos santos e até os domingos, compensado pelo Décadi.

Em um determinado período, a França iniciava o ano no dia da Páscoa, criando o que veio a ser conhecido por Estilo Francês, ou Estilo da Páscoa.

Esse estilo gerava anos que poderiam conter entre 330 e 400 dias; no reino de Carlos IX, o calendário passou a iniciar-se a partir de Primeiro de janeiro.

O ano do calendário revolucionário francês foi dividido em 12 meses de 30 dias cada. Após o 360 dia, inseria-se 5 dias complementares e um sexto dia a cada quatriênio.

4 eram as estações do ano, a saber:

OUTONO Vendêmiárie
  Brumáire
  Frimáire
INVERNO Nivôse
  Pluviose
  Ventôse
PRIMAVERA Germinal
  Floreal
  Prairial
VERÃO Messidor
  Thermidor
  Fructidor

O dia do calendário revolucionário francês, foi dividido em 10 horas de 100 minutos e estes em 100 segundos

Esse sistema durou 4.848 dias do calendário gregoriano, ou, de 22/09/1792 até 31/12/1805; abolido, em 31/12/1805, através de um decreto de Napoleão. A partir de 01/01/1806, já no primeiro império de Napoleônico, voltou a prevalecer o calendário gregoriano.

FATOS IMPORTANTES CORRELACIONADOS COM O CALENDÁRIO GREGORIANO

Durante o chamado período do calendário revolucionário francês, tivemos diversos acontecimentos históricos; desses, destacamos alguns do mais importantes:

9 Termidor (27/07/1794) Cai Robespierre, guilhotinado no dia seguinte
13 Vindemiário (05/10/1795) Golpe dos Realistas
18 Brumário (09/11/1799) Napoleão volta do Egito, derruba o Diretório, estabelecendo o Consulado.

 Divulgação:

Museus franceses celebram a  coroação de Napoleão Primeiro

Napoleão I volta a ser reverenciado nos museus da França, quase 200 anos depois de se tornar imperador, em 2 de dezembro de 1804.

 Seu bicentenário já começou a ser festejado em várias instituições na França, principalmente museus.

Por exemplo, o museu do Louvre inaugurou no dia 19/10/2004, terça-feira,exposição organizada em homenagem ao famoso quadro "A Consagração do Imperador Napoleão", óleo sobre tela enorme, pintado por Louis David sob encomenda imperial com a finalidade de divulgar ainda mais a importância política e simbólica do ato, cujo precedente retrocedia a Carlos Magno, mil anos antes.
 

 

Prestamos homenagem ao evento, escolhendo do nosso acervo iconográfico, a imagem magnânima, em primeiro plano, de Napoleão I na batalha de Friedland, quadro pintado pelo célebre Horace Vanet.


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