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ALMANAQUES PARA SEMPRE

Ne sutor ultra crepidam - Não vá o sapateiro além das chinelas. (Dito atribuído a Apeles: tendo exposto um quadro seu, ouviu de um sapateiro uma critica sensata quanto ao calçado da pintura e emendou o erro. Voltou novamente o sapateiro a fazer outras criticas, que não estavam ao seu alcance. Foi então que o pintor lhe disse que não fosse além das chinelas. Aplica-se a todo e qualquer critico que faz reparos em assuntos de que não entende.)

Cada ano, que começava, trazia sempre consigo um contingente de almanaques e predições,que mais ou menos se realizavam -  Não se iludam os incautos ou precipitados; a matéria que trataremos é vasta e, seria impraticável tentarmos abrangê-la na sua totalidade. Com o espírito preparado, passemos em revista alguns tópicos.

Fonte principal: Almanachs de Outrora - Por Ernest Gaubert

ALMANACH - EU SEI TUDO - 1933

Adaptações, paginação e diagramação, inserções efetuadas por Almanaque.info

Ad perpetuam rei memoriam

Para perpetuar a lembrança de uma coisa, fato, acontecimento.

Na figura Nostradamus, segundo um almanach do século XVII

 

 

 

 

 

 

Em 1414, o Cardeal d'Ally e mais tarde em 1476, João de Muller, bispo de Ratisbonne, predisseram os acontecimentos de 1789, em Paris.

(Gravura que, na época, acompanhou a predição do cardeal).

 
O primeiro volume do Diccionario de Sciencias Occultas (tomo XLVIII da Encyclopedia Theologica) de Miguel faz remontar a origem dos almanaques proféticos aos pequeninos painéis ornados, sobre os quais os povos da antiga Germânia e da Escandinávia marcavam, antecipadamente e pelo prazo de um ano, as fases da lua.

E como os primitivos Germânicos chamavam a isso allmud-agt a etimologia também admite essa explicação, que justifica o próprio nome das publicações desse gênero.

Infelizmente, há por outro lado informações e mesmo documentos indiscutíveis provando que os Chineses conheciam o uso de almanaques desde tempos imemoriais. Os Árabes também se orgulham de os ter criado e chamam-os Al Manach (O memorial) o que nos dá a etimologia exata e direta.

Parece, porém, que os "Filhos do Céu" têm mais direito para reivindicar a prioridade da invenção. Seus almanaques são do mesmo tipo dos que Mathieu Laensberg tornou famosos, com a diferença de que nós contamos doze constelações como signos do zodíaco e os Celeste têm em consideração vinte e oito.

Podem, porém, alegar que, em matéria de predições, a abundancia de astros não poderá prejudicar.

Na Europa mesmo, o almanaque de Mathieu Laensberg teve predecessores muito antes de 1636, data de sua primeira publicação.

Em 1804 Fisher descobriu em Mayence um almanaque de previsões publicado em 1457. Logo ao nascer da imprensa.

A Primavera

De resto, é sabido, que os povos primitivos, os povos de pastores e migradores, deviam possuir coleções de observações e predições meteorológicas. Era no limiar da tenda, sob o céu constelado do Oriente, que, ouvindo as lições da experiência dos patriarcas, se constituíram os elementos do primeiro almanaque. A ciência simbólica e misteriosa dos Magos, as tradições esotéricas dos sacerdotes (*) e adivinhos, o empirismo dos feiticeiros, os interesses dos ricos, as altas e grandes hipóteses astronômicas
dos sábios da Caldeia e do Egito, como as grosseiras superstições dos bateleiros do Tigre e do Nilo, dos marinheiros do Tiro, da Phocia,de Alexandria, tudo isso se confundiu e influiu nos primeiros almanaques, coletâneas de sentenças absurdas ou judiciosas em confusão. Mais tarde as ambições e loucuras da astrologia, as adivinhações muitas vezes maravilhosas e por vezes fantásticas da Alquimia penetraram nessas obras, que durante vários séculos constituíram a única literatura da multidão, sua distração e ao mesmo tempo seu conselheiro de todas as horas. O almanaque, investido de autoridade indiscutida reinava nos lares acima do pai de família. Palavra do almanaque era palavra de oráculo. Miguel Nostradamus, nascido em 1503, em Saint Rang na Provença (França) e

Frontispício do almanaque suíço intitulado "Mensageiro Coxo de Antonio Sonee, de Basileia." A gravura era acompanhada pela legenda: Coxo como a Justiça e o Destino. As gravuras nos quatro cantos, representando as estações climáticas são do Almanaque de Mathieu Laensberg.

morto em 1566, em Salon, não publicou almanaques propriamente ditos; mas as quadras que ele compôs em sua solidão amarga e selvagem foram exploradas por todos os organizadores de almanaques proféticos. Essas quadras alimentam até hoje com seus versos enigmáticos todas as coletâneas de predições.

É verdade que as dez centúrias (mil) de quadras oferecem mina abundante e fácil. A voga dessas quadras se mantém vivas ainda em nossos dias, mercê de circunstancias, na verdade assaz singulares.

Por exemplo. Numa delas Nostradamus predisse que, sem se mover, seu tumulo mudaria de lugar.

A Igreja de Salon foi arrasada e assim seu tumulo passou a existir em um campo aberto. E os compatriotas do adivinho extasiaram-se.

PREDIÇÕES SOBRE NAPOLEÃO

Acumulado de bens e de honrarias pela rainha Catarina de Medicis e pelo rei Carlos IX, Nostradamus conhecia admiravelmente sua profissão e se, como disse em sua dedicatória ao rei Henrique II viu, em um espelho ardente, como

por visão obnubilada, graves acontecimentos, tristes, prodigiosos e as principais aventuras que se aproximam, soube maravilhosamente tirar partido de sua arte ver a credulidade de seus contemporâneos e mesmo dos pósteros.

Nostradamus, teve como Homero e Virgilio, comentadores de rara habilidade. Segundo esses comentadores, Nostradamus previu tudo, desde a execução de Maria Stuart e de Carlos I, da Inglaterra, até a Revolução Francesa, Bonaparte e suas vitórias etc.. Querem um exemplo?

OS PROGNOSTICOS DE NOSTRADAMUS PARA 1555 - POR DANIEL RUZO

http://cura.free.fr/xxx/26ruzo2.html   
par Daniel Ruzo

 

Les Prophéties de Nostradamus

Page de titre de la 2ème édition,
publiée à Lyon, chez Antoine du Rosne, en 1557.

A quadra que anunciou, em 1557/1558, o advento de Napoleão foi a VIII da 57 centúria.

"De simples soldado alcançará o império;

Do vestuário curto alcançara o longo.

Valente nas armas, na igreja,

Vexar os padres como a água fez com a esponja"

Em outra quadra vaticina assim a queda de Napoleão:

"A águia levada em torno do pavilhões

Por outras aves de em torno será expulsa.

Quando barulho de cimbros, tubas e campanas

Restituirão o senso á dama insensata."

A dama é a França e as outras aves são a águia russa e a águia a prussiana.

Un faux almanach pour l'an 1563
Pseudo-Nostradamus  http://cura.free.fr/docum/26ps-nos.html

.Fac símile de uma das gravuras que, em 1558, acompanharam as predições de Nostradamus com respeito a Napoleão I.

Quanto a Mathieu Laensberg, seus almanaques continuaram a ser publicados com o mesmo titulo "Almanach de Liege", com os verdadeiros prognósticos de Mathieu Laensberg ou de Philippe, filho do falecido Mathieu.

Além das previsões atmosféricas para cada dia do ano novo, essas brochuras, em formato 32, recreativas e ornadas com gravuras contem bons conselhos de moral, em verso, uma breve relação do ano precedente e algumas anedotas. Mas já esse bom astrólogo abusava das predições vagas :

Bom tempo para a jardinagem, variável, indeciso, aparência de tempestade, tempo favorável ao trigo.

Profecias de caráter mais geral acompanham certas edições de Mathieu Laensberg. Mas não são comprometedoras. Para agosto de 1830, escrevia isto.

Nova invenção destinada a produzir os mais felizes resultados, mas será reduzida pela ignorância e a rotina. Palavra de seu respeitável prelado. Os trabalhos da colheita espalham a abastança nos campos.

Pedro Larriny, poeta dramático, nascido em Troyes, em 1596, também publicou almanaques de predições de 1618 a 1647  Uma das coisas que predisse foi que ele próprio morreria sufocado com uma espinha de peixe. Mas essa predição não se realizou. Consta que esse almanaque ainda foi publicado por muito tempo (desconhecemos se ainda continua) com o titulo - Verdadeiro Almanach de Pedro Larriny.

UMA AVALANCHE DE ALMANAQUES

Uma das tabuas de cálculos de trilogias, publicada pelo Verdadeiro Mensageiro Coxo de Basiléia, para o ano 1789.

Os almanaques foram conhecidos de todos os povos civilizados da Antiguidade, e o uso dos almanaques anuais data da invenção da imprensa. A xilografia, ou impressão por meio de caracteres gravados em madeira, em uso entre os Chineses desde o século VI, foi conhecida na Europa desde o século XII e desenvolveu-se sobretudo no século XV; mas, verdadeiramente, a imprensa data do dia em que Gutenberg, de Moguncia, inventou os caracteres móveis de metal (ano de 1436 aproximadamente) e o prelo manual que imprimiu, pela primeira vez, inúmeros exemplares dum livro. Os redatores desses primeiro livros eram médicos e astrólogos. Daí o trazerem, ao lado de indicações cientificas, prognósticos arriscados e até conselhos muitas vezes ridículos.

Na Alemanha, na Suíça e na França, o Mensageiro Coxo de Basiléia, redigido por Antonio Sonee, foi, por mais de um século, sem rival. De todas as publicações desse gênero, foi, de fato, a mais completa. Seus conselhos de higiene e de agricultura são muito judiciosos e, suas informações comerciais, agronômicas e suas decisões são verdadeiramente sabias e úteis.

A simples enumeração dos almanaques que se seguiram a esses ultrapassaria de muito os limites de nossa pesquisa e divulgação. Todavia, uma amostragem significativa os Amigos terão ainda, nas páginas subseqüentes.

Fragmento extraído do Verdadeiro Mensageiro Coxo de Basiléia (Suíça) para o ano de 1789.

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1 quinta, 2 sexta, 3 sábado, 4 domingo, 5 segunda, 6 terça, 7 quarta, 8 quinta, 9 sexta, 10 sábado, 11 domingo, 12 segunda, 13 terça, 14 quarta, 15 quinta, 16 sexta, 17 sábado, 18 domingo, 19 segunda, 20 terça, 21 quarta, 22 quinta, 23 sexta, 24 sábado, 25 domingo, 26 segunda, 27 terça, 28 quarta, 29 quinta, 30 sexta, 31 sábado

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Encerrando está página, as figuras das estações do ano, segundo o "Verdadeiro Mensageiro Coxo de Basiléia"

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